Descubra o que é verdade e o que é mentira sobre o autismo

Nesta quarta-feira, 2 de abril, é celebrado o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, uma data estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para dar visibilidade ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), combater preconceitos e promover a inclusão.

Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem usar o cordão de girassol, símbolo nacional para identificar deficiências ocultas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 70 milhões de pessoas no mundo são autistas. A estimativa é que cerca de dois milhões de brasileiros vivem com algum nível do transtorno.

Apesar dos avanços na compreensão do TEA, ainda existem muitos mitos que geram desinformação e dificultam o entendimento correto sobre o tema.


Transtorno do Espectro Autista (TEA)

O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades na comunicação e interação social, além de comportamentos repetitivos e interesses restritos.

Segundo Flávio Sallem, neurologista do Hospital Japonês Santa Cruz, “o autismo é um espectro, ou seja, pode se manifestar de formas muito diferentes de pessoa para pessoa”.

O diagnóstico exige avaliação especializada com psiquiatras, neurologistas, psicólogos e neuropediatras.


O que realmente é verdade sobre o autismo?

  • Vacinas causam autismo?

Mentira. A ideia de que a vacina tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) causa autismo é falsa e originou-se de um estudo de 1998, amplamente desmentido. O médico Andrew Wakefield, responsável pela pesquisa, usou dados falsos e foi descoberto com conflitos de interesse.

Não há evidências científicas ligando a vacina ao autismo, e a verdadeira causa do transtorno está em fatores genéticos, com mais de 100 genes associados.

  • O autismo é causado por traumas psicológicos?

Mentira. O TEA é uma condição de origem neurológica e não tem relação com traumas emocionais. A antiga teoria de que a falta de afeto materno causaria autismo foi refutada e não tem base científica.

  • O autismo é uma doença?

Mentira. O autismo não é uma doença, mas sim uma condição neurológica que afeta o desenvolvimento, a interação social e a comunicação.

Por isso, também não tem cura. O tratamento, na verdade, tem como objetivo auxiliar no desenvolvimento das habilidades sociais e na adaptação ao cotidiano.

O suporte adequado, incluindo acompanhamento especializado e compreensão da família e da sociedade, é essencial para que a pessoa com TEA tenha qualidade de vida e possa desenvolver seu potencial ao máximo.

  • Adultos podem ser diagnosticados com autismo?

Verdade. Embora os sinais sejam mais claros na infância, muitos adultos vêm descobrindo o diagnóstico tardiamente.

Pessoas com TEA de nível 1 frequentemente só são diagnosticadas na vida adulta, porque seus sinais são mais sutis e podem ter sido mascarados por estratégias de compensação social”, detalha Flávio Sallem.

Contudo, a ausência de diagnóstico e acompanhamento adequado pode agravar o sofrimento psíquico, ansiedade, depressão e sensação de inadequação. “O autismo impacta a compreensão de sutilezas sociais, a fluência nas conversas, a adaptação a mudanças de rotina e a construção de vínculos afetivos”, pontua.

  • Crianças autistas precisam de escolas especiais?

Mentira. Crianças autistas precisam de acompanhamento individual, que pode ser oferecido tanto em escolas regulares quanto em instituições especializadas. Não é obrigatório que estudem em escolas exclusivas para pessoas com transtornos cognitivos.

A inclusão escolar favorece o desenvolvimento social e acadêmico, desde que haja suporte adequado.

A escola pode ser desafiadora para crianças autistas, especialmente aquelas com nível 3, que demandam um suporte mais intensivo.
  • Uma pessoa com autismo nível 1 também tem crises?

Verdade.Episódios de crises ocorrem por sobrecarga sensorial, emocional ou social. Autistas de nível 1 também têm crises, mas elas podem ser mais internas ou sutis, como irritabilidade intensa, mutismo temporário, isolamento, ataques de ansiedade ou colapsos silenciosos”, afirma o neurologista.

  • Todos os autistas são agressivos?

Mentira. A agressividade não é uma característica do autismo. Quando há esse comportamento, ele geralmente está relacionado a dificuldades como sobrecarga sensorial, frustração, estresse ou problemas para se comunicar. Com o suporte adequado, é possível minimizar ou evitar esses desafios.

  • Autistas são sempre superinteligentes?

Mentira. Embora algumas pessoas com TEA tenham habilidades especiais, isso não ocorre com todos. Novamente: o TEA é um espectro, ou seja, pode se manifestar de diferentes formas em cada indivíduo.

  • O tratamento do autismo é multidisciplinar?

Verdade. O acompanhamento de uma pessoa com TEA geralmente envolve uma equipe multidisciplinar, incluindo médicos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos e outros profissionais, conforme as necessidades individuais de cada paciente.

 

Combater os mitos e compartilhar informações corretas é essencial para promover um ambiente mais inclusivo e acolhedor para pessoas autistas.

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