Abril Azul é o mês de conscientização sobre o autismo, um momento importante para ampliar debates e promover a inclusão de pessoas no espectro em diferentes áreas da vida, incluindo o lazer e as viagens. Na quarta-feira, 2, inclusive, é Dia Mundial de Conscientização do Autismo.
As viagens prometem um momento único para as famílias desfrutarem de momentos juntos. Para crianças neurodivergentes com TEA (Transtorno do Espectro Autista), algumas estratégias específicas ajudam a garantir que esse momento seja tranquilo e prazeroso.
Neste cenário, é essencial que as famílias de crianças com TEA se preparem com antecedência para minimizar imprevistos e proporcionar uma experiência confortável e divertida para todos.
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“Muitas pessoas cuidadoras ainda se preocupam ao viajar com crianças autistas, especialmente durante as férias, quando é comum visitar lugares novos e mais movimentados. Porém, ao planejar a viagem, é fundamental oferecer previsibilidade, fazer combinados com todos os envolvidos e incluir esses cuidados no planejamento para garantir uma experiência mais agradável e específica para a criança e a família“, explica a psicóloga e orientadora da Genial Care, Caroline Rorato.

Importância da rotina para os neurodivergentes
É comum que pessoas autistas se apeguem à rotina, já que ela proporciona previsibilidade e evita surpresas, ajudando a lidar com o mundo ao seu redor.
Alterações no cotiano, como mudanças de casa ou ajustes nas atividades diárias, podem gerar desconforto e até mesmo sobrecarga sensorial, levando a crises, por exemplo.
Caroline ressalta a importância dos cuidadores que consideram que a interrupção nas atividades escolares e a alteração na rotina podem causar desconforto à criança.
“As interações com a criança devem ser cuidadosamente planejadas e realizadas neste período, em que são situações comuns em que a criança pode se expor a diferentes estímulos”, destaca.
Como pais de crianças autistas devem planejar uma viagem?
Para auxiliar as famílias que planejam viagens com crianças neurodivergentes, a especialista lista algumas dicas práticas que podem tornar a experiência mais tranquila e agradável. Confira:
1) Previsibilidade durante a viagem
É essencial disponibilizar com antecedência todas as informações importantes para a criança, mantendo contato com a equipe multidisciplinar que a acompanha. Desenvolva um roteiro detalhado para ajudar a criança a entender e se preparar para o momento.
Explique o destino da viagem, o meio de transporte utilizado, a duração do percurso e detalhe, de forma clara e objetiva, o que é permitido ou não. Conte histórias relacionadas ao lugar, como memórias afetivas divertidas sobre os avós, por exemplo.
Leve brinquedos favoritos ou objetos que ajudam a criança a se autorregular e descreva sempre o que está acontecendo, principalmente em situações inéditas.
Evite forçar experiências ou situações que a criança não deseja vivenciar, para não provocar desconforto ou aversão.
2) Utilize recursos visuais
Os recursos visuais são ferramentas eficazes na comunicação alternativa com pessoas sem espectro autista. Antes da viagem, elabore uma rotina visual personalizada, utilizando ilustrações que representam as atividades programadas ou desenhos que detalham o passo a passo da jornada.
Apresente fotos do destino, do local de hospedagem, das paisagens e de pontos de interesse que atraem a atenção da criança.
Criar um quadro visual com as etapas do dia ou da viagem pode ajudar a criança a se situar melhor. Histórias sociais também são úteis para prepará-la para possíveis desconfortos ou situações inesperadas.
3) Faça pequenos passeios antes da viagem
Utilize passeios curtos, como idas a praças ou parques, como uma forma de treino. Intercale momentos em locais mais movimentados com períodos em áreas mais calmas, para que a criança possa se regular. Preste atenção aos sinais de desconforto ou sobrecarga sensorial.
Observar como a criança reage a novos estímulos nesses pequenos passeios pode fornecer insights valiosos sobre como lidar com situações semelhantes durante uma viagem.

4) Conversar com todos os envolvidos
Além de preparar uma criança autista, é igualmente importante conversar com todos os participantes da viagem. Ao visitar familiares ou amigos, informe sobre as necessidades específicas da criança, estabeleça limites e compartilhe informações sobre a rotina, preferências e possíveis sensibilidades.
Hotéis e empresas de transporte também devem ser comunicados sobre as necessidades especiais da criança, garantindo que os direitos legais sejam respeitados para evitar contratempos.
O uso do cordão com estampa de quebra-cabeça, símbolo internacional para o Transtorno do Espectro Autista (TEA), por exemplo, ajuda a identificar e facilitar o acesso aos direitos em diferentes ambientes.
5) Planeje pausas e momentos de descanso
Durante a viagem, é fundamental programar intervalos regulares para que a criança possa descansar e se recompor. Evite longos períodos de atividades intensas, pois isso pode causar sobrecarga sensorial.
Escolha lugares tranquilos para essas pausas, onde a criança possa relaxar, se divertir e se reequilibrar.
Considere também o uso de fones de ouvido com cancelamento de ruído ou outros dispositivos que ajudam a bloquear sons excessivos, caso a criança tenha sensibilidade auditiva.
Lembre-se de que uma viagem agradável depende de momentos de descanso funcionais, permitindo que a criança aproveite melhor cada etapa do percurso.
6) Esteja atento aos sinais da criança
Preste atenção aos sinais de estresse ou desconforto que uma criança possa apresentar durante uma viagem.
Mudanças de comportamento, como excitabilidade, irritabilidade ou inquietação, podem ser indicadores de que a criança está sentindo algum tipo de sobrecarga. Observe também as reações físicas, como a necessidade de evitar estímulos sensoriais excessivos ou buscar espaços mais tranquilos.
Ao notar esses sinais, tenha um plano de ação preparado para ajudar a criança a se autorregular, seja oferecendo um objeto calmo, conduzindo a intensidade dos estímulos ao redor ou alterando a programação da viagem. A flexibilidade é essencial para garantir o bem-estar da criança.
7) Assegurar os direitos de viagem
Além da identificação e da comunicação com os meios de transporte, é importante conhecer os direitos específicos de viagem para pessoas com autismo. No transporte aéreo, por exemplo, a legislação prevê benefícios para o acompanhante.
Conforme a Resolução n.º 280, de 11 de julho de 2013, da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), a pessoa com autismo paga a tarifa integral da passagem, enquanto o acompanhante tem direito a pagar apenas 20% do valor original, acrescido da taxa de embarque.
Essa regulamentação se aplica a passageiros com deficiência que precisam de apoio durante a viagem. Como o autismo é considerado uma deficiência pela lei, os direitos destinados às Pessoas com Deficiência (PCDs) também abrangem pessoas no espectro autista.

“Viajar com uma criança autista exige cuidados especiais, como oferecer previsibilidade, respeitar a rotina e utilizar estratégias visuais, garantindo uma experiência mais tranquila e agradável para todos. Além disso, fique atento aos sinais da criança e busque ambientes mais calmos quando necessário é fundamental para proporcionar o máximo de conforto e bem-estar durante a experiência“, conclui Caroline Rorato.
Uma viagem pode ser enriquecedora para a interação social, mas é fundamental respeitar os limites da criança e estar preparado para adaptar as atividades das férias conforme necessário.