A cada ano, milhares de bebês nascem com distúrbios congênitos, e um dos fatores de risco menos discutidos é o diabetes materno. Pesquisas recentes apontam que mulheres com diabetes tipo 2 antes ou durante a gestação apresentam um risco significativamente maior de ter filhos com anomalias congênitas.
Um estudo brasileiro publicado na revista Diabetology & Metabolic Syndrome revelou que 13,8% dos bebês de mães diabéticas apresentaram algum tipo de malformação. O controle inadequado da glicemia e a ausência de planejamento pré-concepcional são fatores determinantes nesse cenário.
A relação entre diabetes tipo 2 e malformações congênitas
O diabetes tipo 2 ocorre quando o organismo não consegue usar adequadamente a glicose, devido à resistência à insulina ou à produção insuficiente desse hormônio. Durante a gravidez, níveis elevados de açúcar no sangue podem atravessar a placenta e afetar diretamente o desenvolvimento fetal. Isso pode resultar em anomalias estruturais, principalmente cardíacas e neurológicas, que podem levar a complicações graves ou até mesmo à morte do bebê. No estudo realizado no Rio Grande do Sul, foram analisadas 567 gestações de mulheres com diabetes tipo 2, evidenciando a ligação direta entre hiperglicemia materna e malformações congênitas.
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Como a hiperglicemia afeta o desenvolvimento do bebê?
Durante a gestação, a glicose elevada no sangue materno é transferida para o feto, alterando processos bioquímicos essenciais para a formação dos órgãos. Um dos mecanismos envolvidos é a glicação da hemoglobina, que prejudica a liberação de oxigênio para os tecidos fetais. Essa redução na oxigenação pode comprometer o desenvolvimento normal do bebê e aumentar o risco de anomalias. Exames como a hemoglobina glicada (HbA1c) são fundamentais para monitorar a glicemia ao longo da gravidez e minimizar complicações.
Estratégias para reduzir o risco de malformações
Para mulheres com diabetes tipo 2 que desejam engravidar, o planejamento prévio é essencial. Algumas das principais recomendações incluem:
- Controle rigoroso da glicemia antes e durante a gestação.
- Acompanhamento médico regular, com ajustes na medicação conforme necessário.
- Suplementação com ácido fólico, que contribui para a formação saudável do tubo neural do bebê.
- Monitoramento do peso e da alimentação, uma vez que a obesidade é um fator de risco adicional.
Além disso, a pesquisa alerta para a alta taxa de gestações não planejadas no Brasil, o que dificulta a adoção de medidas preventivas. Estima-se que 60% das gravidezes no país não sejam programadas, tornando essencial a ampliação do acesso a cuidados médicos e educação em saúde para mulheres em idade fértil.